O Luto

Nunca imaginei que ia começar a minha escrita com esse tipo de temática. Porém, devido a acontecimentos recentes em minha vida, esse texto surgiu.

O Luto

Ele vem tão de repente que custa para acreditarmos. Como se levássemos um soco e ficássemos tontos com o impacto. Falamos para nós mesmos para não chorar, pra não sofrer e isso só faz com que eles venham mais forte. As pessoas nos consolam, e não ouvimos. Como ouviríamos se tudo o que passa pela cabeça é ‘ele se foi’ ou ‘nunca mais o veremos’ ou pior ainda ‘quero ele de volta’. Sabemos que não tem volta, mesmo assim, desejamos com todas as nossas forças.

O turbilhão de sentimentos não acaba. Ligações, mais condolências. Amigos, parentes e pais se reúnem e mais sofrimento. E o que aprendemos disso tudo? Que o luto é uma forma de dividirmos o sofrimento, não guarda-los para nós. Tudo aquilo que guardamos para nós, uma hora ou outra, nós enfraquecerá por dentro. Uma tristeza não dita, uma humilhação não compartilhada e até mesmo as alegrias não contadas. A vida é feita do compartilhar, do dividir aquilo que não cabe em nós mesmos e assim, ao dividir, nos tornamos mais fortes diante do que quer que seja. Pra mim isso é o luto. Chorar no ombro amigo, abraçar aquele que sofre sem se conter, afagar aquele que está inconsolável em sua própria dor. É darmos as mãos e encararmos a perda de um ente querido juntos, apoiando uns aos outros para que a despedida não seja tão tortuosa quanto já é. Família é apoio, é aquilo que nos mantêm fortes diante de momentos difíceis. Uma mãe ou um pai podem fraquejar durante a perda de um filho, mas podem buscar apoio naqueles que lhe são mais preciosos: a família.

É diante do luto que vemos que sozinhos, nós somos fracos e indefesos. Mas juntos, somos mais fortes e sim, em homenagem daquele que se foi, vamos seguir em frente, guardando suas memórias na mente e no coração. Viveremos por nós, por você e por todos aqueles que nos é mais querido.

É a partir das memórias que nos tornamos eternos.

Ao nosso querido filho, irmão, neto, sobrinho, afilhado, companheiro, primo e amigo.

Dedico esse texto ao meu primo falecido nesse sábado. Aonde quer que esteja, sua memória será eternamente guardada em nossos corações. E quem sabe, um dia, voltemos a nos reencontrar.

Luíz Gustavo de Oliveira Lopes

(29/03/2014)

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